Como a blockchain vai revolucionar a indústria de seguros - I




A indústria de seguros é hoje uma das mais centralizadas, protegidas e conservadoras do mundo. Parte disso se deve a própria natureza do negócio, que lida com riscos numa escala bem maior do que a maior parte do mercado. De certo modo, isso fez com que o modelo de negócio se desenvolvesse relativamente pouco nas últimas décadas.


Por outro lado, a indústria hoje lida com o boom das FinTechs e InsurTechs, que estão oferecendo serviços mais dinâmicos e atrativos ao grande público. De acordo com o survey Global Fintech, 22% dos negócios de seguros e gestão de ativos devem ser afetados por inovações disruptivas do setor nos próximos anos. O valor de investimento em startapus InsurTech chegou a mais de US$ 3 bilhões em 2018, quase o dobro dos $1,65 bilhões investidos em 2017, de acordo com dados do banco de dados da FinTech Global.


Em outras palavras, as empresas do setor já entenderam que precisam inovar e a busca por soluções em blockchain tem atraído a atenção de muitas lideranças do setor, que já reconheceram o potencial da tecnologia. 


Nesta série de artigos, pretendo explorar sobre os potenciais do uso da blockchain nesse setor e falar um pouco sobre as iniciativas existentes. 


Por que a blockchain


A tecnologia blockchain é baseada no princípio do livro razão distribuído, numa rede descentralizada e protegida por criptografia de ponta a ponta, o que elimina a necessidade de intermediários. No ramo de seguros, isso significa que uma blockchain opera com cópias do livro-razão armazenadas em vários nódulos da rede, o que permite que qualquer agente, seguradora, corretor ou subscritor tenha acesso ou atualize a base de dados em tempo real. Todas as transações registradas na rede são verificadas e criptografadas, enquanto todas as mudanças nos registros são publicadas como adições aos dados originais.


As aplicações práticas são legião. Com a ajuda de blockchain, registros médicos criptografados podem ser compartilhados entre hospitais e seguradoras, ultrapassando fronteiras locais e internacionais. Assim, é possível cortar registros duplicados e errôneos, reduzindo o tempo de processamento de reivindicações, negações de reivindicações e checkups.


De acordo com a pesquisa da Accenture Technology Vision 2019, mais de 80% das companhias de seguros afirmaram ter adotado ou estar planejando adotar a tecnologia da cadeia de bloqueios. Sabe-se que muitos desses projetos estão demorando na fase de aprovação do conceito, o que tem levado muitas companhias a apostar em alianças para a viabilização de soluções, como a Blockchain Insurance Industry Initiative (B3i). Estas alianças ou consórcios estão trabalhando no desenvolvimento de plataformas baseadas para tornar possíveis alguns casos de uso bem interessantes.


Prevenção contra fraudes


Prevenir fraudes é uma das maiores preocupações do setor. Segundo o FBI, o custo total das fraudes em seguro nos EUA, excluindo o seguro saúde, é estimado em mais de US$ 40 bilhões por ano. Para as famílias americanas, isso tem um custo médio de aumento de US$ 400 a US$ 700 no prêmio dos seguros. 


Uma das razões disso reside na dificuldade de detectar atividades fraudulentas com métodos regulares baseados no uso de dados disponíveis publicamente e fontes privadas de dados. A indústria de seguros moderna é complexa e cheia de lacunas de visibilidade. As reclamações de segurados para seguradoras e destas para as resseguradoras costumam se embaralhar em um processo lento e burocrático, que cria oportunidades para criminosos. Como resultado, os dados acumulados são geralmente fragmentados devido às restrições legais que acompanham as informações pessoalmente identificáveis. Por isso, em muitas situações, várias reivindicações são apresentadas para um único caso, ou surgem reclamações de clientes que assinaram contratos com corretores não-licenciados.


As seguradoras costumam investir muito tempo e dinheiro na coleta de dados de domínio público e de empresas privadas para prever e analisar atividades fraudulentas. Esses dados públicos geralmente são inconsistentes, devido aos entraves para compartilhamento de informações entre diferentes organizações. As restrições para a troca de informações como nome, endereço, data de nascimento também impõem problemas de padronização. 


O uso da blockchain


Com a blockchain, os dados armazenados na rede são protegidos por criptografia e por configurações de permissões granulares. Todas as partes podem compartilhar dados e verificar sua autenticidade sem revelar informações sensíveis. Um livro-razão descentralizado compartilhado facilita a consolidação de dados históricos e ajuda as empresas a detectar padrões suspeitos. 


Dessa forma, o compartilhamento de informações tem o potencial de reduzir as falsificações, na medida em que estabelece certificados digitais que não poderiam ser alterados na rede. De quebra, isso ajuda a eliminar o processamento duplicado de verificações. E reduz os desvios de prêmio, provocados por corretores não-licenciados ou aqueles que fraudam para embolsar os prêmios. O compartilhamento de informações também permite encontrar padrões mais rapidamente, alterando, inclusive, o cálculo de riscos com que as seguradoras têm de lidar hoje. Com todos esses benefícios , é possível aumentar as margens de lucro para a seguradoras e/ou viabilizar prêmios mais baratos para os clientes.

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